domingo, 9 de agosto de 2009

Anadota

Oije vou-ma cuntar-ves uma parte cum co mê ti se saíu esta tarde, cando tava más eu, e ca mim me dê munta festa. Béque-me a xtóirinha leva jêto.
Atã é assim:


Andava um pretuguês por i, num povo quajquer desse Algarve, à pregunta duma venda. Vai daí, cando dá cum uma e sa vai assomar, arrepaira que tá fechada. Atã pranta-se a matinar: «Bolas! Que chatice! Porque será que não está aqui ninguém?» (*)

Nesse poucachinho, passa porli ò rés uma velhinha e ele, munte rapetezo, dá-lhe de vaia e précura-lhe:
- A senhora não sabe se o café abre hoje?" (**)
Ò ca melherzinha acode:
- Cude c'abra.

O home já anérvado de na dar cuma venda aberta, panha uma marafação inda maior, pinsando da velha ser torta e o mandar pó cu da cabra. Manêras c' abala chê da vaneno e a rasmorder da melher. Um padacinho despôs já a venda tava aberta, ma logue o home já ia munte desviado per essa altura, e na se chegou a fornecer...

Mostra que saber algravio inda vem a dar jêtes. Calhande este desgraçáde nã tinha ficade cas calças nas mãs, na é verdade? Punhão! Qu'é pa proixma na ser tã bruto!

(*) Im algravio: Pôrças! Má da volta! Má que jêtes na tará aqui famila?
(**) Im algravio: Amecêa na tem idéa sa venda abre oije?

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Fiquim amecêas sabende qu'ê ande no laré!

Boa nonte!

Vi-ma aqui dar de vaia, na vã amecêas fcarim pinsando qu'ê panhi praí a morrinha.
Parece ele ca famila anda agora i toda bruta, mode a gripe, que já na pode a gente prantar a tlefonia a trabalhar qu'e só notiças dessa bagaja. Im tode o tempe houve gripe e ê inda cá na vi trabalho destes. Punhão, ca até dá marafação! Im eles ingandim niste, já n'há quim nos dê quedos... Mostra que a plítca já dêta bedum, atã arranjarem esta entretanha. Intém nos jornás, na nos dexam da mão.

Ma dzia ê, s'ê na tenhe tide jêtes de ma vir cá assomar nã é per desaprecato nim tampouque per andar alvoreado ou cum a malandra. Dá-se o caso d'ê tar da regresso ò nosse Algarve per esta temprada e d'ê fazer tençãs de aprevitar o tempe cum o mê pessoal. Ando tamém a ver se arranjo manêra de prantar aqui no blogue uma rapertagem cum famila a tramelar im algravio, de cume era a vida noutres tempes. Dá-me simpre munta festa das partes ca velhama usa a cuntar de quande eram moçquenes, mode as blheretas qu'injarocavam i, per esses montes e povos. Vame lá a ver sê dou mê de ma amanhar co sarviço!

Bom, atã inté ca gente se veja (é uma manêra de dezer)!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Tiátaro - Más uma pagela

Béque-me oije inda nã no dou tode dxpaxado. Calhando pa semana ou despôs tará cumpleto. Aspero que amêas tejam a achar planta.

Inda esta smana ê me incuntri cum o artista que s'alimbrou de fazer esta parte, más os moçquenos. Já nã no via há uma remessa de tempe. Nim tampouque notiças ê tenhe tide. Na dê pa tramelar munte, ma ò menes dê pa dar-lhe uma manzaca e matar soidades. Fique agora à xpera co sô Mairo nes venha vesitar aqui ò blogue e aprevêto pa le agrdecer esta obra que nes dixou. Mode nã ter recebide inda comentáiros da famila, a respêto do tiátaro, na faço idéa se isto tá a ter saída ou nã...
Ma vâ-me lá a ver más um blego!


(Inquanto a Mari Benta trata das galinhas, soa um transporte a chigar e a D. Jaquina vai-se assomar à porta. É o filho da D. Jaquina que chigou más a famila e ela antra a fugir mode alimpar as mãs e a boca e a cumpor-se.)

D. Jaquina - Ai! É o mê Héldaro, maila nha Ercila e a nha Piedade. Tamém vieram passar a nonte do nacemento más a gente?

(O Héldaro, a Ercila e a Piedade falam cum pronuinça de Vila Real de Sante Antóino)

Piedade - Avó Quina! (Antra im casa e foge po pé da avó)



D. Jaquina - Ai! A nha Piedade! Tás tã grande, moça! (e abraça-a)
Ai, que soidades qu'ê tinha!

Héldaro - Dá lecença mnha mãe?

D. Jaquina - Ó home! A casa tamém é tua.
Antrem pa dentro. (e falam-se)

(A Ercila antra más a Mari Benta)

Ercila - Ó tia. Tem que levar más sintido cum a sua saúde.

(Fala à sogra)

D. Jaquina - Ai moça. Tás jêtosa.
Cada vez mai nova.

Mari Benta - É senal co nosse Héldaro a trata bem. Na é vardade?

Ercila (dande-lhe festa) - Lá isso, nã tenhe razãs de quêxa.

Héldaro - Atã e o mê pai? Qu'é fête dele?

Piedade - Ádonde é tá o avê Flezbeto?

D. Jaquina - Olha, foi praí à pregunta do Antóino da Carriça.
Chigou aí a filha que tá na França, más o home e o moçqueno e abalaram pr'essa chapada a ver se davum cum ele.

Ercila - A Cesaltina tá cá? Gstava da ver.

D. Jaquina - Atã calha bem. Eles vêm passar a festa más a gente.

Héldaro - O Antóino da Carriça inda tá cá em casa?
Foi desta que se ajêtou cum a tia?

Mari Benta - Ó rái! Bate já nessa boca, home!
Quere lá saber do velho...

D. Jaquina - O desgraçado bem que lhe anda simpre a arrastastar a asa, mas ela só o inxevalha...

Ercila - Pôs era mêmo o ca tia precisava.

Mari Benta - Dês ma livre! O home nã tem jêto nim trambelho. Simpre cum aquele bafo pingunço. Tótes, inté me dá anisas!



D. Jaquina - Ai! Tã simpre gravitando. (arria-se)
Inda onte à nonte a mana tava amassando e lavajou-se cum farinha, pôs atã na é co dêcho do home mal chigou prantou-se de roda da melher im querende-lhe sacudir o assantadoiro? Formou-se aqui um inlêo que só visto.

Piedade - Ó avó, o que é o assentadoiro?

Ercila - Ó filha, é o cu.
Eles aqui dizem assentadoiro.

D. Jaquina - Atão e estã manhão pegarem-se antra vez.
Ele inté me mandou binzê-la do má fitio.
A mana alevantou-se cedo, mode vir tender...

(Cantinuam a tramelar e a rir, mas más báxo, e cmeça a soar uma modinha im fundo, que fica inté que apareça o Ti Flezberto más a famila de emigrantes e o Antóino da Carriça. Os que inda nã se tinham ancuntrado falam-se e ficam tamém a cunversar).

Piedade - Tu és o Mathieu, não és?

Mathieu - Oui. Sou.
Et tu? Non me lembrrro do teu nome.

Piedade - Eu sou a Piedade.

Mathieu - Piedade? Que nome esse?

Piedade - Eu tamém não gosto muito.
Já foste ver os bacorinhos?

Mathieu - Bacorrrinhos? Que é isso?



Piedade - Tamém não sabes nada.
São os porquinhos pequeninos.

Mathieu - Ah, crrrias de cochons.
Nunca vi. Anda-me lá mostrrrarrr.

Piedade - Avô Flizberto, vou mostrar os bacorinhos ao Mathieu.

Cesaltina - Ai, eu também quero ir ver!

Ercila - Contos é ca porca teve?

Ti Flezberto - Pariu douze, mas morrerem três.

Antóino da C. - Atão vams lá todes ver a bxarada.
Ande já tamém, cmade Benta.

Mari Benta - Oh home! Na m'atente a miolêra.
Vaia-se já e dêxe-se fcar pulá, que na pcilga é qu'amecêa tá bem.

(Cmeçam a sair)

D. Jaquina - Ai estes dôs.
Se calha algum dia a fcarém praqui sozinhes, esconfi que se xfolam um ò outre...

Ti Flezberto - Bom, ê vou-ma alimpar o forno, qu'e pa prantar o pã a quezer. (e vai tratar do forno)

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Pousia do Camons

Oije alimbrê-me de prantar aqui uma pousia do Camons. Vou-ma ver se faço a feneza de dar corridos parte dos poetas pertegueses más gabades. Ê ande a tmar per conta pa na marafar a métrica más as rimas, mode na dixar as pousias de pantanas, senã perde a planta toda. Ah pôrça! Ma nim simpre é ò queres, manêras que levo inda bem munte tempe aqui a matinar e a azucrinar o tatuço. Trabalho cum dôs dcionáiros de algravio e más a limbrança qu'ê tenhe da nha fala de moçqueno, cos mês avozes m'insinarem. Ma nim même assim ê me amanho más dpressa, nim o raio...
Vá lá, tem à vonde cum impar, qu'ê cuido qu' amecêas querim é lêr pousia!
Ora, atã é assim:


Sete anes de moiral Jacob sarvia
Labão, pai de Raquel, sarrenha bela;
Ma nã sarvia ò pai, sarvia a ela,
E a ela só per cunvidade queria.

Os dias, co sintido num só dia,
Passava, cunsolande-se im vê-la;
Agora o pai, usande de cátela,
Im lugar de Raquel le dava Lia.

Im vende o dsmarride moiral que desse jêto
Cum inganifas le negarem a sua moirala,
Come se nã a tvera murcida,

Joga-se a sarvir más sete anes,
Dezende: más sarviria, nã fosse
Pra tã longue amor tã curta a vida!


[Im pretuguês

Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prémio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,

Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: — Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida!

- Luís Vaz de Camões]

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Élves im algravio

Esta nôte, vou-ma prantar uma modinha do artista amaricano Élves Présli (1935-1977), cum tradeçã im algravio. Ouve e inda há por i famila a levá-lo de rê, e na é sim razã: ca bela groja co home pussiía!



Simpre na nha idéa

Calhando ê na te xtimi
Tã bem come ê havia de ter fêto
Calhando ê na t'amê
Toda a vez q'ê tive jêtes
Cousinhas havia ê de ter falado e fêto
Só que logue ê na me ópus

Tu ias simpre na nha idéa
Tu ias simpre na nha idéa

Calhando ê na te sustive
Im todes esses tempes slitáiros
E béque-me ê nunca ta disse
Tou tã repimpado de seres minha
S'ê te sjiti a sintirs-te o rafugo
Moça, ê tou tã repeso, ê andava cego

Tu ias simpre na nha idéa
Tu ias simpre na nha idéa

Diz-me, diz-me co tê amor doce na se desluziu
Dá-me, dá-me más uma ocasiã
A ver s'ê te consolo, s'ê te consolo

Cousinhas havia ê de ter falado e fêto
Só que logue ê na me ópus

Tu ias simpre na nha idéa
Tu vás simpre na nha idéa
Tu vás simpre na nha idéa

[Na fala englesa

Always on my mind

Maybe I didnt treat you
Quite as good as I should have
Maybe I didnt love you
Quite as often as I could have
Little things I should have said and done
I just never took the time

You were always on my mind
You were always on my mind

Maybe I didnt hold you
All those lonely, lonely times
And I guess I never told you
Im so happy that youre mine
If I make you feel second best
Girl, Im so sorry I was blind

You were always on my mind
You were always on my mind

Tell me, tell me that your sweet love hasnt died
Give me, give me one more chance
To keep you satisfied, satisfied

Little things I should have said and done
I just never took the time
You were always on my mind
You are always on my mind
You are always on my mind

- Elvis Presley]

terça-feira, 21 de julho de 2009

Tiátaro Algravio - trecêra pagela

Pra quim só agora deu notiça do Algravio, fiquim sabendo qu'esta é já a trecêra pagela duma xtóirinha de tiátaro qu'ê comeci a cuntar antredia. Na sou ê o artista, ê sou só o contador. Ela foi xcrita plo Sô Máiro. Mas pode ser que aqui ou ali ê ponha tamém um chêrinho. Qu'isto é sabido que quim conta uma parte, acresçanta-lhe da sua arte. Atão vams lá a más um blego!

(Antra o Ti Flezberto, já cum outra vestementa, que vem aprontar o forno mode cozer o pão, e sai a D. Jaquina)

Ti Flezberto - Atão, já tá melhor?

Mari Benta - Ai mano Flezberto. Pró que m'havera de dar...

Ti Flezberto - Ó mana, mas amecê presenciou mêmo esse balho?

Mari Benta - Cum estes dous olhes ca terra m'hade quemer. Inté me fui assomar pa dentro da plingana e tude, e vi. As felhoses pulavam da plingana pra fora e balhavam, balhavam...

Ti Flezberto - Ó mana, isse na terá sido im sonho?

Mari Benta - Ê si cá!

(Antra a D. Jaquina, já vestida, que vem tender)

D. Jaquina - Inda aí tá? Vaia-se lá dêtar. Daquem nada ta aí a famila toda e amecêa inda na se pôs boa.

(A dona Jaquina joga-se a tender e o Ti Flezberto vai acinder o forno mode cozer o pão. Inquanto vai tendendo a D. Jaquina canta uma modinha d'intigamente.
É intarrumpida pro Ti Flezberto, que já tem o forno a aquecer e le diz:)

Ti Flezberto - Dixi o barredoiro inquestado ó pial, toma per conta, na le incalhes.
Bom, vou-ma dar de quemer ós porcos.

D. Jaquina - Tá bem. O balde cum a água lexosa tá aí imbaxo da pia.
Pranta uma ametade naquela vasilha qu'é prós bacrinhes.

Ti Flezberto - Tá bem assim? (e amostra)

D. Jaquina - Tá. Na raçã da marranita nã mereça a pena prantar tanto farelo.

Ti Flezberto - Atã vê lá. (Vai prantando más farelos)

D. Jaquina - Tem ávonde! Isse nã é pra nenhum sovão!

(O Ti Flezberto sai más os baldes e a D. Jaquina cantinua a modinha inquanto vai tendendo)



(Condo acaba de tender arruma a ócharia e vai-se alavar. Neste tempe, antra o Ti Flezberto que assilha os baldes dádonde eles tavam. Logue despôs antra a filha do Antóino da Carriça más o home e o moçqueno dela, que acabam de chegar da França)

Ti Flezberto - Antrem. Venham pra casa.
Ó Jaquina! Olha só quim chegou!

D. Jaquina - Ai! A Cesaltina! (Falam-se)
Mas há contes anes ê na te via!
Tás jêtosa, moça!

Cesaltina - Oh! É a D. Jaquina?
Quaj que nim a conhecia. Ta cada vez más nova!

D. Jaquina - Atão esse aí é o tê home?

Cesaltina - Vá lá. É o mê marido e o mê filho. (falam-se támem)

D. Jaquina - Ai, com'ó tempe passa.
A últema vez que te vi foi num dia de mercado.
Era o tê gaiato pequenalho e agora tá um home fêto.

Francisco - Então e o meu sogro?
O que é feito dele?

Ti Flezberto - Tá guardando o gado na chapada pre trás do monte.
Ê vou lá dar-le de vaia.

Francisco - A gente vai consigo que é pra ver se esticamos as pernas.
Estamos fartos de estar sentados.

D. Jaquina - Atão fezeram boa viagem?

Cesaltina - Sim, fezémes.
Isto agora já se faz más depressa.
Entra-se logue lá na auto-rute e é munte más rápido.

Ti Flezberto - Bom, vame lá a ver se a gente dá cum o Antóino.

(O Ti Flezberto sai más o casal de emigrantes e o garoto, à pregunta do Antóino. Antretanto, a Mari Benta deu pla chegada de pessoal e antra na casa do fogo pra ver quim chegou. A D. Jaquina cantinua a aquemedar os tarecos.)

Mari Benta - Ê tava ditada e óvi cunversar.
Quim é que tava aqui más amecêa, mana?

D. Jaquina - Era a Cesaltina, que chigou da França, más o maride e o filhe.

Mari Benta - Atã e já abalaram? (e vai-se assomar ó pestigo)

D. Jaquina - Nã. Foram só ver se davam cum o Antóino.
E amecêa? Já vai tando melhorzita?

Mari Benta - Béque-me isto já vai passando.
Já tou um nadinha melhor.
Já soltarum as galinhas?

D. Jaquina - Inda nã às ouvi.
Calhando inda tã presas.

Mari Benta - Ê vou-ma ver.
Levo uma manchinha de sovada e ficum logue tratadas.

D. Jaquina - Veja lá, mana. Na se prante prái munte ó sol.

(A Mari Benta sai e passado um pouque soam as galinhas e a Mari Benta a chamar.)

Mari Benta - Piiiii pi pi pi piiita, piita pita pita pita!...



Per oije fcames por aqui. Na perquem a cantinação.
Inté, pessoal!

sábado, 18 de julho de 2009

Fica pormetide que, im ê tende jêtes, o purmêro post que ê vou-ma prantar é a cantinação do tiatro, mode ver se iste na fica pr'aqui amarroado... Amanhão ou despôs na si se tarê vagar, mas fiquim ameceias xcansados que, na tande ê praí tramouco, na me ê-de xquecer.
Faço tamém tençãs de ter aqui no blog pousias ragionais. Na dexim de vir cá de condo im vez, que ós poucachinhos isto vai informande. Inté!

Ria Formosa

Oije amostro aqui um dos sitos más cobiçados e ausioses da nossa terra: o parque natural da Ria Formosa. Prá famila que inda na quenhece, é da manêra que ficum cuma idéa, ma na dexim de vesitar, que isto im a gente se assomando de perto é outra cousa! Pra quim já quenhece, béque-me vã achar planta ó que ê aqui pranti. Inté!


















Pa fcarim sabendo más um poucachinho a respêto do parque natural vaiam a estes links:
- http://portal.icnb.pt/ICNPortal/vPT2007-AP-RiaFormosa?res=1024x768
- http://www.olhao.web.pt/ParqueNatural.htm
- http://pt.wikipedia.org/wiki/Ria_Formosa

quinta-feira, 16 de julho de 2009

O Gadanêro

Esta nôte, ò assomar-me no blog do mê Pressor Amadê Frrêra, o "cumo quien bai de camino", im mirandês, vê-me à ideia quemeçar a tradezir peças más gradas. E pegui logue nesta pousia do Alberto Caêro, qu'amecêas bem quenhecim. Sã uns versos munte bem tirados. Vams lá a ver s'ê tou capaz de dar conta do recado!

O Gadanêro XXXIV

Ache tã natural que nã se pinse
Que ma pranto a rir parte das vezes, sozinho,
Na si bem de quê, mas é de quajquer cousa
Que tim à ver cum haver famila que pinsa...

Que cuidará o mê valado da nha ássombra?
Procuro-me parte das vezes isto inté dar per mim
A procurar-me cousas...
E atão desengraço-me, inquemode-me
Come se me panhásse cum pé cum formeguêro...

Que cuidará isto daquilo?
Nada pinsa im nada.
Tará a terra cunscênça dos bajoles e plantas que tem?
Se ela tever, ca tenha...
Qu'é que m'amporta isse à mim?
S'ê fosse a pinsar nessas cousas,
Dixava de ver as árves más as plantas
E dixava de ver a Terra,
Mode ver só os mês pinsamentes...
Jmorcia e fcava à dscuras.
De manêras que, sim pinsar, tenhe a Terra más o Céu.


[Im pretuguês

O Guardador de Rebanhos XXXIV

Acho tão natural que não se pense
Que me ponho a rir às vezes, sozinho,
Não sei bem de quê, mas é de qualquer cousa
Que tem que ver com haver gente que pensa…

Que pensará o meu muro da minha sombra?
Pergunto-me às vezes isto até dar por mim
A perguntar-me cousas…
E então desagrado-me, e incomodo-me
Como se desse por mim com um pé dormente…

Que pensará isto de aquilo?
Nada pensa em nada.
Terá a terra consciência das pedras e plantas que tem?
Se ela tiver, que tenha…
Que me importa isso a mim?
Se eu pensasse nessas cousas,
Deixava de ver as árvores e as plantas
E deixava de ver a Terra,
Para ver só os meus pensamentos…
Entristecia e ficava às escuras.
E assim, sem pensar, tenho a Terra e o Céu.
-Alberto Caeiro]

ALGARVE ALGARVE ALGARVE



O nosse blog faz oije um mês!! Um mês a dar de vaia à famila pr'àquilo ca gente tem de melhor: a nossa queltura ragional. A cousa tem prozado e ê aspero que assim se cunserve per munte tempe!

O mê agradcemente a todes os que nes têim vinde vesitar nesta temprada e se têm assomado a estas partes qu'ê aqui tenho prantado.

Inté, pessoal!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Más bonecaja!

Oije vou-me a prantar bonecaja da Móinca e más da Mafalda! Aspero que lhes dê festa!



terça-feira, 14 de julho de 2009

Faro Intigamente

Esta nôte vou-ma prantar más uns retratos da cedade de Faro. Vejam lá se inda s'alembram de come era lindo este padaço ó rés da ria...